Dr. Januário de Pardo Mêo Neto, cardiologista e arritmologista
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Procedimento

Oclusão do apêndice atrial esquerdo

Uma alternativa à anticoagulação por toda a vida, para pacientes selecionados com fibrilação atrial que não podem manter o anticoagulante.


A oclusão do apêndice atrial esquerdo é um procedimento por cateter que fecha uma pequena bolsa do átrio esquerdo, o apêndice atrial, onde se forma a maior parte dos coágulos ligados ao AVC na fibrilação atrial. É indicada para pacientes selecionados de alto risco que não podem manter a anticoagulação por toda a vida. Não trata a arritmia: reduz o risco de AVC.

Por que o apêndice atrial

Na fibrilação atrial, o sangue circula mal dentro do átrio esquerdo e pode formar coágulos. A grande maioria desses coágulos nasce em uma estrutura específica: o apêndice atrial esquerdo, uma bolsa estreita onde o sangue tende a estagnar durante a arritmia.

O tratamento habitual para prevenir esses coágulos é a anticoagulação, com medicamentos que reduzem a formação de trombos. Funciona bem para a maioria dos pacientes. O problema aparece quando a pessoa não pode manter o anticoagulante, por sangramentos, quedas de repetição, intolerância ou outra contraindicação. É aí que fechar o apêndice se torna uma alternativa a considerar.

Para que serve e quando é indicada

O procedimento é indicado para um grupo específico: pacientes com fibrilação atrial e alto risco de AVC que têm uma razão real para não seguir na anticoagulação de longo prazo. Os cenários mais comuns:

  • Sangramentos graves ou repetidos com o uso de anticoagulante
  • Alto risco de queda ou trauma
  • Intolerância ou contraindicação formal às medicações anticoagulantes

A indicação nunca é automática. Trata-se de uma decisão em equipe, que pondera o risco de AVC, o risco de sangramento e as alternativas. Faço questão de discutir isso com calma, e a segunda opinião é bem-vinda antes de uma decisão desse porte.

Próximo passo

Não pode manter o anticoagulante?

Se a anticoagulação é um problema no seu caso, vale avaliar as alternativas com cuidado. Envie sua mensagem e discutimos se a oclusão do apêndice faz sentido para você.

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Como o procedimento é feito, passo a passo

  1. Preparo. Jejum, exames revisados e ajuste da medicação por escrito. Antes do procedimento, solicito uma angiotomografia do coração, para planejar o implante e afastar coágulos já existentes.
  2. Anestesia. Sedação profunda ou anestesia geral, conforme o caso. Você não sente dor.
  3. Acesso. Punção da veia femoral, na virilha, e passagem controlada dos cateteres até o átrio esquerdo.
  4. Implante. Uma prótese é conduzida até a entrada do apêndice atrial e posicionada de forma a fechá-lo. O implante é guiado pelo ecocardiograma transesofágico, e a posição é conferida antes de liberar o dispositivo.
  5. Verificação e alta. Confirmo o posicionamento e a vedação e, após o repouso, a alta é no dia seguinte.

Com o tempo, o próprio tecido do coração recobre o dispositivo, e o apêndice deixa de ser um ponto de origem de coágulos.

Riscos, radiação e a experiência de quem opera

Energia utilizada. Este procedimento não usa energia de ablação: trata-se do implante de um dispositivo. Por isso não se aplica a discussão de radiofrequência ou campo pulsado (PFA) aqui.

Exposição à radiação. O implante é guiado por raios-X e pelo ecocardiograma transesofágico. Trabalho para manter a dose de radiação tão baixa quanto a segurança do implante permitir.

O volume do operador importa. O posicionamento preciso do dispositivo depende de experiência. Complicações são menos frequentes com operadores que realizam o procedimento com regularidade. É legítimo perguntar ao especialista quantos implantes desse tipo ele realiza por ano.

Conduta em caso de intercorrência. Como todo procedimento invasivo, existe risco, incluindo o de complicações relacionadas ao implante. Discuto cada um deles antes, junto da equipe, para que a decisão seja tomada com informação completa. O acompanhamento após o implante confirma que o dispositivo está bem posicionado e orienta o esquema de medicação.

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Recuperação e resultados esperados

A recuperação costuma ser rápida. A alta é no dia seguinte. Oriento repouso relativo por cerca de uma semana, com cuidado com o local da punção; depois disso, você já pode voltar às atividades de rotina, inclusive ao trabalho. A atividade física é liberada na consulta de retorno, em geral após 30 dias. O acompanhamento após o implante é parte essencial: exames de controle confirmam a vedação do apêndice e definem, de forma individual, o ajuste da medicação.

Sobre resultados, mantenho a mesma honestidade das demais páginas. A oclusão do apêndice reduz o risco de AVC em quem não pode anticoagular, mas não zera esse risco e não trata a arritmia. Em estudos randomizados com pacientes selecionados, a proteção contra o AVC foi comparável à obtida com a anticoagulação oral com varfarina. Para tratar a fibrilação atrial em si, o caminho é outro, discutido em ablação de fibrilação atrial. Às vezes as duas estratégias se somam, o que avalio caso a caso.

Atendo em São Paulo e em Campinas. Se você tem plano com livre escolha, veja como funciona o reembolso assistido.

Ilustração tridimensional do átrio esquerdo com a prótese de oclusão posicionada na entrada do apêndice atrial
Ilustração da oclusão do apêndice atrial esquerdo: a prótese, liberada pela ponta do cateter, fecha a entrada do apêndice, onde se forma a maior parte dos coágulos na fibrilação atrial.

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns

O que é o apêndice atrial esquerdo?

É uma pequena bolsa no átrio esquerdo do coração. Na fibrilação atrial, é o local onde mais se formam os coágulos responsáveis pelo AVC. Fechar essa bolsa reduz o ponto de partida da maioria desses coágulos.

Para quem esse procedimento é indicado?

Para pacientes selecionados com fibrilação atrial e alto risco de AVC que não podem manter a anticoagulação por toda a vida, por sangramento, intolerância ou outra contraindicação. É uma decisão tomada em equipe, caso a caso.

Vou poder parar o anticoagulante depois?

O objetivo do procedimento é justamente permitir reduzir ou suspender a anticoagulação de longo prazo em pacientes que não a toleram. O esquema de medicação após o implante é individual e definido no acompanhamento.

Como o dispositivo é colocado?

Por cateter, através de uma veia da virilha, sem cirurgia aberta. Uma prótese é levada até o átrio esquerdo e posicionada na entrada do apêndice, fechando-o. O coração não é parado durante o procedimento.

A oclusão do apêndice trata a arritmia?

Não. Ela não corrige a fibrilação atrial nem substitui a ablação. Seu objetivo é reduzir o risco de AVC em quem não pode anticoagular. São estratégias diferentes, que às vezes se complementam.

Referências

Fontes científicas

  1. Diretriz 2024 da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC) para o manejo da fibrilação atrial
  2. Reddy VY e cols. Resultados em 5 anos da oclusão do apêndice atrial esquerdo: estudos PREVAIL e PROTECT AF (JACC, 2017)
  3. Diretriz Brasileira de Fibrilação Atrial (SOBRAC, 2025)

Laudo digital: o resultado deste procedimento fica disponível online, com acesso seguro para você e para o médico que solicitou o seu caso. Saiba como acessar seu laudo.

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