Dr. Januário de Pardo Mêo Neto, cardiologista e arritmologista
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Procedimento

Ablação sem radiação

Tratar a arritmia com fluoroscopia mínima ou zero, guiado por mapeamento tridimensional e ecocardiograma intracardíaco. Por que a dose de raios-X importa e para quem faz mais diferença.


A ablação sem radiação é a ablação por cateter feita com dose mínima ou nula de raios-X. Em vez da fluoroscopia contínua, guio o procedimento pelo mapeamento eletroanatômico tridimensional em conjunto com o ecocardiograma intracardíaco, que mostram a posição de cada cateter em tempo real dentro de um modelo do seu coração.

Por que a radiação importa

A ablação tradicional usa fluoroscopia, uma forma contínua de raios-X, para acompanhar os cateteres dentro do coração. É uma tecnologia segura e amplamente usada, mas toda radiação se acumula ao longo da vida, e a boa prática é mantê-la tão baixa quanto possível.

Essa preocupação não é igual para todos. Ela pesa mais em:

  • Pacientes jovens, que têm muitos anos pela frente e mais tempo para acumular exposição
  • Mulheres em idade fértil e gestantes, em situações selecionadas
  • Pessoas que farão mais de um procedimento ao longo da vida, somando doses
  • A própria equipe da sala, exposta de forma repetida a cada procedimento

Reduzir a radiação é, portanto, um cuidado que protege você e também quem trabalha comigo.

Como funciona: mapeamento tridimensional e ecocardiograma intracardíaco

O sistema de mapeamento eletroanatômico reconstrói as câmaras do coração em um modelo tridimensional, a partir do contato dos próprios cateteres com as paredes cardíacas. Dentro desse mapa, cada cateter aparece em tempo real, com sua posição e movimento, sem necessidade de raios-X para localizá-lo.

O ecocardiograma intracardíaco complementa o mapa. Um cateter de ultrassom posicionado dentro do próprio coração mostra as estruturas em tempo real: as paredes, as veias, o septo entre os átrios e o contato do cateter de ablação com o tecido. Em parte dos casos, é ele que permite fazer a passagem para o átrio esquerdo (punção transeptal) sem raio-X; em outros, uso alguma fluoroscopia nessa etapa.

Com o mapa e o ultrassom juntos, consigo navegar até a origem da arritmia, aplicar a energia no ponto certo e confirmar o resultado, tudo dentro do mapa. Em muitos procedimentos, isso permite chegar a zero fluoroscopia. Em outros, a uma fração mínima da dose tradicional.

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Como o procedimento é feito, passo a passo

O procedimento segue as mesmas etapas de uma ablação por cateter, com o mapeamento substituindo o raio-X:

  1. Preparo. Jejum, exames revisados e ajuste de medicação orientado por escrito.
  2. Anestesia. Sedação profunda ou anestesia geral, conforme o caso. Você não sente dor.
  3. Acesso. Punção da veia femoral, na virilha, por onde os cateteres chegam ao coração.
  4. Construção do mapa. Reconstruo o modelo tridimensional das câmaras envolvidas, com o ecocardiograma intracardíaco mostrando as estruturas em tempo real, e passo a navegar dentro dele.
  5. Ablação guiada pelo mapa. Localizo a arritmia e aplico a energia com o cateter posicionado pelo sistema 3D, com pouca ou nenhuma fluoroscopia.
  6. Verificação e alta. Testo o resultado e, após o repouso, a alta acontece no mesmo dia ou no dia seguinte. Nas ablações mais complexas, como a de fibrilação atrial, é no dia seguinte.

Riscos, radiação e a experiência de quem opera

Energia utilizada. A abordagem sem radiação é compatível com as diferentes energias de ablação: radiofrequência, crioablação e campo pulsado (PFA). A escolha da energia é uma decisão separada da escolha por reduzir a radiação.

Exposição à radiação. É justamente o diferencial desta abordagem: dose próxima de zero na maioria dos procedimentos. Isso não substitui os demais cuidados de segurança, que permanecem os mesmos de qualquer ablação.

O volume do operador importa. Trabalhar com fluoroscopia mínima ou zero exige domínio do mapeamento tridimensional e prática constante. É razoável perguntar ao especialista com que frequência ele realiza ablações de baixa radiação e com qual resultado.

Conduta em caso de recorrência. Se a arritmia retornar, avalio um novo procedimento, mantendo a mesma filosofia de baixa radiação. Para quem soma procedimentos ao longo da vida, esse cuidado se torna ainda mais relevante.

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Recuperação e resultados esperados

A recuperação é igual à de qualquer ablação por cateter. A alta acontece no mesmo dia ou, nas ablações mais complexas, no dia seguinte. Oriento repouso relativo por cerca de uma semana, com cuidado com o local da punção; depois disso, você já pode voltar às atividades de rotina, inclusive ao trabalho. A atividade física é liberada na consulta de retorno, em geral após 30 dias.

Quanto aos resultados, a redução da radiação não muda a eficácia do tratamento da arritmia: o que muda é a segurança em relação à exposição acumulada. A expectativa de sucesso continua sendo a da arritmia tratada, seja fibrilação atrial, flutter ou outra. Não faço promessa de cura, e explico o resultado realista no seu caso.

Atendo em São Paulo e em Campinas. Se você tem plano com livre escolha, veja como funciona o reembolso assistido.

Composição com o mapa eletroanatômico tridimensional, mostrando o cateter de ablação e os pontos de aplicação, e um detalhe do ecocardiograma intracardíaco
Na tela da sala: o mapa eletroanatômico tridimensional, com o cateter de ablação e os pontos já tratados, e, no detalhe, o ecocardiograma intracardíaco. Juntos, mostram a posição dos cateteres sem depender do raio-X.

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns

O que é ablação sem radiação?

É a ablação feita com dose muito baixa ou nula de raios-X. Em vez da fluoroscopia contínua, os cateteres são guiados por um sistema de mapeamento eletroanatômico tridimensional, que mostra a posição em tempo real dentro de um mapa do coração.

Sem raio-X, como o médico enxerga os cateteres?

Pelo mapeamento tridimensional em conjunto com o ecocardiograma intracardíaco. O sistema reconstrói as câmaras do coração em um modelo 3D e mostra cada cateter em tempo real dentro dele; o ultrassom, feito de dentro do próprio coração, mostra as estruturas e o contato do cateter com o tecido. Em muitos procedimentos, isso dispensa a fluoroscopia por completo.

Para quem essa abordagem faz mais diferença?

Para pacientes jovens, mulheres em idade fértil e gestantes em situações selecionadas, e para quem fará mais de um procedimento ao longo da vida. Reduzir a radiação acumulada é um cuidado que beneficia especialmente esses grupos.

A ablação sem radiação é menos eficaz?

Não. O mapeamento tridimensional oferece precisão igual ou superior à da fluoroscopia para localizar a arritmia. A redução da radiação não compromete o resultado quando a técnica é dominada pelo operador.

Toda ablação pode ser feita sem radiação?

A maioria dos procedimentos pode ser feita com radiação muito reduzida, e muitos, com zero. Alguns casos específicos ainda podem exigir alguma fluoroscopia. Defino isso conforme a arritmia e a anatomia.

Referências

Fontes científicas

  1. Diretriz 2019 da ESC para o manejo de pacientes com taquicardia paroxística supraventricular (TPSV)
  2. Diretriz 2024 da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC) para o manejo da fibrilação atrial
  3. SOBRAC, Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas

Laudo digital: o resultado deste procedimento fica disponível online, com acesso seguro para você e para o médico que solicitou o seu caso. Saiba como acessar seu laudo.

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