Dr. Januário de Pardo Mêo Neto, cardiologista e arritmologista
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Procedimento

Ablação por campo pulsado (PFA)

A energia não térmica que trata a fibrilação atrial poupando estruturas vizinhas ao coração. O que muda, para quem serve e o que os estudos mostram.


A ablação por campo pulsado, ou PFA (do inglês pulsed field ablation), trata a fibrilação atrial com campos elétricos pulsados em vez de calor. A energia atua por eletroporação, abrindo poros nas células do tecido-alvo de forma seletiva. Por não ser térmica, tende a preservar estruturas vizinhas ao coração, como o esôfago e o nervo frênico.

O que significa PFA?

PFA é a sigla de pulsed field ablation, o nome em inglês da ablação por campo pulsado. A sigla se firmou no Brasil antes de qualquer tradução, e é assim que a técnica aparece em congressos, laudos e nas conversas entre pacientes. Neste site uso os dois nomes como sinônimos.

A técnica também é chamada de eletroporação, em referência ao mecanismo: os pulsos elétricos abrem poros na membrana das células do tecido-alvo, sem aquecer nem congelar.

O que muda em relação à ablação térmica

As formas mais tradicionais de ablação usam calor (radiofrequência) ou frio intenso (crioablação) para neutralizar o tecido que gera a arritmia. São técnicas consolidadas e eficazes, mas, por atuarem por temperatura, exigem cuidado com órgãos que ficam ao redor do átrio esquerdo.

O campo pulsado trabalha de outro modo: não utiliza calor nem frio. Ele aplica pulsos elétricos muito curtos que, pelo próprio mecanismo de ação, afetam preferencialmente as células do músculo cardíaco, poupando em maior grau tecidos como o esôfago, o nervo frênico e as próprias veias pulmonares. Essa seletividade tecidual é a característica mais estudada da técnica.

Na prática, isso costuma se traduzir em procedimentos mais rápidos e com um perfil de segurança favorável em relação a essas estruturas vizinhas. Os estudos mostram eficácia comparável à das energias térmicas, e o seguimento de longo prazo segue em andamento.

Para que serve e quando é indicada

O campo pulsado é usado sobretudo no isolamento das veias pulmonares, o passo central do tratamento da fibrilação atrial. Pode ser especialmente interessante quando a proximidade de estruturas sensíveis pesa na decisão.

A indicação, no entanto, é sempre individual. O tipo de fibrilação atrial, a anatomia do seu átrio e o histórico de procedimentos anteriores influenciam a escolha da melhor energia. Em parte dos casos, outra técnica é mais adequada, e digo isso com franqueza.

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A escolha da energia depende do seu tipo de fibrilação e da sua anatomia. Envie sua mensagem e discutimos as opções na avaliação, presencial ou por telemedicina.

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Como o procedimento é feito, passo a passo

A lógica é a mesma da ablação de fibrilação atrial, com a diferença na energia aplicada:

  1. Preparo. Jejum, exames revisados e ajuste da medicação por escrito. Faço de rotina um ecocardiograma para afastar coágulos no átrio: o exame pode ser realizado próximo à data do procedimento ou, em alguns casos, já na sala, no início do procedimento.
  2. Anestesia. Sedação profunda ou anestesia geral. Você não sente dor.
  3. Acesso. Punção da veia femoral, na virilha, e passagem controlada dos cateteres até o átrio esquerdo.
  4. Mapeamento. Mapa tridimensional do átrio e das veias pulmonares com o sistema eletroanatômico.
  5. Aplicação do campo pulsado. Os pulsos elétricos são aplicados ao redor das veias pulmonares até confirmar o isolamento.
  6. Verificação e alta. Testo o resultado e, após o repouso, a alta é no dia seguinte.

Riscos, radiação e a experiência de quem opera

Energia utilizada. O campo pulsado não utiliza calor nem frio, e seu mecanismo de ação reduz o risco sobre estruturas vizinhas em comparação com as energias térmicas. Isso não elimina riscos: nenhum procedimento invasivo é isento deles. O campo pulsado tem cuidados próprios, como o risco de espasmo de uma artéria coronária quando a aplicação é feita perto dela e a quebra de glóbulos vermelhos (hemólise) quando o número de aplicações é muito alto. São situações conhecidas, que considero no planejamento de cada caso.

Exposição à radiação. Também aqui busco reduzir a dose de raios-X ao mínimo. Com o mapeamento tridimensional e o ecocardiograma intracardíaco, é possível trabalhar com zero fluoroscopia ou com doses muito baixas, o que descrevo em ablação sem radiação.

O volume do operador importa. Por ser uma técnica recente, a curva de aprendizado e a experiência acumulada com o campo pulsado fazem diferença. É legítimo perguntar ao especialista quantos procedimentos com essa energia ele já realizou.

Conduta em caso de recorrência. Como em qualquer ablação de fibrilação atrial, a arritmia pode retornar, e um segundo procedimento pode ser necessário. Combino essa possibilidade antes, para que a expectativa seja realista.

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Recuperação e resultados esperados

A recuperação segue o padrão da ablação de fibrilação atrial, com alta no dia seguinte. Oriento repouso relativo por cerca de uma semana, com cuidado com o local da punção na virilha; depois disso, você já pode voltar às atividades de rotina, inclusive ao trabalho. A atividade física é liberada na consulta de retorno, em geral após 30 dias. Você recebe orientações por escrito e acompanhamento.

Sobre resultados, mantenho a mesma postura de todas as minhas páginas: sem promessa de cura. O campo pulsado é uma ferramenta promissora e bem-vinda, mas a decisão sobre usá-la e a expectativa de resultado dependem do seu caso. Prefiro conversar sobre isso com honestidade a vender certezas.

O campo pulsado no Rol da ANS

Em julho de 2026, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) incluiu a ablação percutânea por cateter de campo pulsado para o tratamento da fibrilação atrial paroxística no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, pela Resolução Normativa nº 678. A cobertura passou a ser obrigatória em 1º de setembro de 2026, quando há indicação médica.

É um reconhecimento regulatório de que a técnica deixou de ser experimental. A inclusão vale para a forma paroxística; nas demais, a escolha da energia segue a avaliação individual.

Atendo em São Paulo e em Campinas. Se você tem plano com livre escolha, a página de reembolso assistido explica como funciona.

Dr. Januário segurando um cateter de ablação por campo pulsado, com o mapa eletroanatômico ao fundo
O cateter de ablação por campo pulsado (PFA) em mãos, com o mapa eletroanatômico do átrio esquerdo ao fundo.

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns

O que significa PFA?

PFA é a sigla de pulsed field ablation, o nome em inglês da ablação por campo pulsado. A sigla já é usada no Brasil por médicos, hospitais e pacientes, e designa a mesma técnica: ablação com pulsos elétricos não térmicos, por eletroporação, em vez de calor ou frio.

O que é ablação por campo pulsado?

É uma forma de ablação que usa campos elétricos pulsados, e não calor, para tratar a arritmia. A técnica atua por eletroporação, abrindo poros nas células-alvo, e tende a poupar estruturas vizinhas ao coração, como o esôfago e o nervo frênico.

Qual a vantagem em relação à ablação tradicional?

A principal diferença é a seletividade. O campo pulsado não utiliza calor nem frio, e seu mecanismo de ação, a eletroporação, tende a preservar tecidos próximos ao átrio, como o esôfago e o nervo frênico. Os procedimentos também costumam ser mais rápidos. Os estudos mostram eficácia comparável à das energias térmicas, com o seguimento de longo prazo ainda em andamento.

O campo pulsado é seguro?

O perfil de segurança em relação a estruturas vizinhas é favorável, por causa do mecanismo de ação, que atinge preferencialmente as células do músculo cardíaco. Como todo procedimento, não é isento de riscos, e a experiência do operador continua importando. Discuto os detalhes na avaliação individual.

Essa tecnologia já é usada no Brasil?

Sim, o campo pulsado já faz parte da prática clínica de eletrofisiologia no Brasil. Desde 1º de setembro de 2026, a ablação por campo pulsado para fibrilação atrial paroxística consta do Rol de Procedimentos da ANS (Resolução Normativa nº 678). Realizo o procedimento em todos os hospitais em que opero, em São Paulo e em Campinas. A indicação depende do seu caso e da anatomia.

Todo mundo com fibrilação atrial pode fazer campo pulsado?

Não necessariamente. A escolha da energia é individual e depende do tipo de fibrilação, da anatomia do átrio e de outros fatores. Em alguns casos, outra energia é mais adequada. Essa decisão é tomada em conjunto, na consulta.

A ablação por campo pulsado está no Rol da ANS?

Sim. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) incluiu a ablação percutânea por cateter de campo pulsado para o tratamento da fibrilação atrial paroxística no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, pela Resolução Normativa nº 678, de julho de 2026. A cobertura passou a ser obrigatória em 1º de setembro de 2026, quando há indicação médica. Para outras formas de fibrilação atrial, a inclusão no Rol não se aplica.

Referências

Fontes científicas

  1. Consenso 2024 EHRA/HRS/APHRS/LAHRS sobre ablação por cateter e cirúrgica da fibrilação atrial
  2. Diretriz 2024 da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC) para o manejo da fibrilação atrial
  3. ANS incorpora mais duas tecnologias ao Rol (Agência Nacional de Saúde Suplementar, julho de 2026; Resolução Normativa nº 678)
  4. Diretriz Brasileira de Fibrilação Atrial (SOBRAC, 2025)

Laudo digital: o resultado deste procedimento fica disponível online, com acesso seguro para você e para o médico que solicitou o seu caso. Saiba como acessar seu laudo.

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